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Uma viagem-aventura em carrinha VW em 1984

Em 1984, tinha eu 22 anos de idade, fiz a minha primeira “grande” viagem para fora de Portugal. Eu estudava na faculdade de medicina, e andava a combinar há muito tempo uma viagem para fora do país, com o meu grupo de amigos. Um dos meus amigos tinha uma carrinha Volkswagen branca, as conhecidas como “pão de forma” em Portugal, e sempre que podíamos, passávamos fins-de-semana ou férias de campismo no país.

Em 1984 fizemos então, a nossa primeira viagem na carrinha VW do meu amigo, para fora de Portugal. Antes de partir, tratamos de todas as formalidades necessárias. Para evitar problemas, preparamos tudo com alguns meses de antecedência (passaportes, câmbios, etc.) Como tínhamos de controlar bem as nossas despesas, decidimos aproximadamente qual o nosso percurso: interior de Espanha, até à costa Mediterrânica, seguir até França e voltar pela costa Atlântica espanhola até Portugal, em 3 semanas. Saímos de Lisboa pela Ponte 25 de Abril, atravessamos o Alentejo e entramos em Espanha por Badajóz. Primeira impressão fora do país: que diferença! Apesar de a paisagem ser parecida naquela área à portuguesa no geral, o facto de ouvir outro idioma na rua, ver gastronomia diferente, fez-me sentir que estava fora do meu país. Que sensação estranha e boa ao mesmo tempo!

Poderia escrever um livro inteiro com as nossas aventuras, os “estudantes de medicina hippies à descoberta de Espanha e França”. Descrevendo os aspectos mais marcantes: fiquei fascinada pelas paisagens que fomos descobrindo ao longo da nossa viagem. Conhecemos muita gente pelo caminho, maioritariamente jovens turistas como nós, que viajavam em carrinhas à descoberta de novos mundos. Guardo na minha memória as paisagens deslumbrantes e os contrastes, do interior e das costas de Espanha. Confesso que não ficamos muito apaixonados pela costa mediterrânica, porque havia lá gente a mais, e nós queríamos mais estar entre gente como nós, alternativos, à procura de aventuras e à descoberta da natureza. Passamos por Madrid, Valência, Barcelona em Espanha, Toulouse e a costa basca em França, voltamos a entrar em Espanha pelo País Basco e fizemos a costa Atlântica (mais natural e menos explorada do que a mediterrânica) até à Galiza, e voltamos a entrar em Portugal pelo Minho. Guardo óptimas recordações pela companhia com os meus amigos, que ainda hoje fazem parte do meu círculo próximo, das paisagens, das pessoas, dos contrastes rurais e urbanos, os contrastes entre as duas costas marítimas em Espanha, e das pessoas que conhecemos pelo caminho, que vinham de todos os cantos da Europa, à procura do mesmo que nós: liberdade, natureza e aventura. Naquela viagem também aprendi a ser mais responsável, e a gerir os meus rendimentos. Por vezes, tivemos que trabalhar alguns dias como empregados de mesa e balcão ou distribuir publicidade, para podermos ganhar dinheiro e continuar a nossa aventura como desejávamos. Esta aventura vai-me ficar sempre na memória, e espero que os jovens hoje em dia, tentem viajar desta forma também, para aprenderem a dar mais valor a certos aspectos e experiências na vida.  


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One Response to “Uma viagem-aventura em carrinha VW em 1984”

  1. Storyteller_PT Says:

    Translation:

    An adventure trip in a VW van in 1984

    In 1984, when I was 22 years old, I undertook my first “big” trip out of Portugal. I was a medicine student and I had been planning a trip abroad with my best friends for a long time. One of my friends had a white Volkswagen van, and we had previously travelled around the country for camping for several occasions in Portugal.
    So, in 1984 we travelled out of the country my friend’s VW van for the first time. Before we left, we solved all necessary formal issues, to avoid any problems. We actually prepared everything a couple of months before we departed (passports, currency, etc.) As we had to control our expenses, we had an approximate idea of our trajectory: Interior of Spain, Spanish Mediterranean coast, south of France, Bask country, Spanish Atlantic coast, and back to Portugal through the north. We left Lisbon through the main bridge (25th April Bridge), we crossed the Alentejo region and we entered Spain trough the city of Badajoz. First impression out of my homecountry: what a difference! Despite the fact that the landscape was very similar to the Portuguese one, I felt abroad when hearing people talk on the streets and when looking at plates filled with different food. It was a strange, but very good sensation at the same time!
    I could write an entire book about our adventures, the “hippie medicine students discovering Spain and France”. Describing the most significant aspects: I was fascinated by the different landscapes that we discovered while undertaking the trip. We met a lot of interesting people, mostly young tourists like us, travelling in vans, looking for new worlds to discover.
    I keep the stunning landscapes and the contrasts between interior and coasts of Spain. I confess that we didn’t really fall in love with the Mediterranean coast of Spain, as there were too many people, and we were more into staying around people like us, alternative and looking for adventures and for nature. During our trip, we also visited the cities of Madrid, Valencia, Barcelona, and in France we visited Toulouse. We drove down the French Bask coast, entered Spain again through the Bask Country, and we drove along the Atlantic coast (more naturally preserved and less explored than the Mediterranean coast), until Galicia, from where we entered Portugal again through the North (Minho region). I keep so many great memories of this trip, the perfect company of my friends, who are also nowadays in my inner circle of friends, the landscapes, the people, the rural and urban contrasts, the contrasts between the two coastlines of Spain, and the friends we made during our trip, who were people like us, coming from all corners of Europe, looking for the same: freedom, nature, adventure.
    During this trip, I also learned to be more responsible, and to manage my earnings. In several occasions, we had to take some small jobs in bars or restaurants, or distributing flyers, in order to make some money and extend our trip as we wished. This adventure will be in my mind forever, and I hope that young people nowadays try to undertake similar trips, to learn more about certain aspects of life, and new experiences.

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